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01 abr 2025

Fatores que levam líderes a encaminhar denúncias de assédio sexual no trabalho

Casos representam desafio para empresas, revela pesquisa realizada com 283 lideranças de diversos setores do Brasil

 

Episódios de assédio sexual no trabalho representam um desafio para a gestão de uma empresa. Como agir quando um funcionário faz uma denúncia? A resposta depende de dois fatores: a cultura ética da organização e a gravidade do caso. Esses elementos determinam não apenas se os líderes encaminharão a denúncia ao setor responsável, como também se vão oferecer suporte às vítimas. É o que revela uma pesquisa desenvolvida pelo Talenses Group, o Insper e a consultoria Think Eva, obtida com exclusividade pelo Estadão. O estudo entrevistou 283 líderes de diversos setores no Brasil.

Uma das descobertas da pesquisa foi o nível de gravidade avaliado pelas lideranças. Os resultados mostraram que a gravidade de casos de assédio sexual tem impacto direto na decisão dos líderes a encaminhar as denúncias.

O clima organizacional ético foi o segundo fator analisado. O conceito diz respeito à percepção dos trabalhadores sobre o que é permitido, proibido ou exigido em termos de conduta moral dentro da empresa. Isso inclui a existência de políticas e práticas éticas, confiança e o compromisso das lideranças e equipes com os valores organizacionais.

 

APOIO

A falta de apoio gerencial é um dos principais fatores que perpetuam o ciclo do assédio sexual no trabalho, aponta a pesquisa.

No Brasil, o Ministério Público do Trabalho define assédio sexual como “condutas de natureza sexual, manifestadas fisicamente, por palavras, gestos ou outros meios, propostas ou impostas contra a vontade da pessoa, causando-lhe constrangimento e violando sua liberdade sexual”. O ato não precisa se repetir para ser caracterizado como assédio.

As denúncias envolvendo contato físico não consentido, solicitações de favores sexuais e ameaças ou chantagens para obter promoções ou manter o emprego foram vistas como mais graves e, por isso, mais propensas a serem encaminhadas pelas lideranças.

Por outro lado, os casos percebidos como menos graves, como insinuações veladas ou comentários inadequados, enfrentaram menor intenção de encaminhamento para o setor responsável pela denúncia (RH, compliance, etc).

O estudo confirmou que quanto mais forte a percepção de um clima organizacional ético, maior a tendência de líderes apoiarem e darem continuidade a denúncias de assédio.

Carla Fava, diretora do Instituto Talenses Group, destaca a importância do design organizacional para entender como os processos são estruturados na empresa. Por exemplo, verificar se os canais de denúncia funcionam, se os líderes de fato encaminham os casos e se há um ambiente de confiança.

 

Fonte: O Estado de S. Paulo, 23/03/2025, por JAYANNE RODRIGUES